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Como será o mundo depois da COVID-19?

As pessoas mundo afora têm se questionado seriamente sobre como serão nossas vidas e atitudes num futuro próximo, sejam nas próximas semanas e meses, ou nos próximos anos.

É verdade que já temos alguma certeza de que os nossos hábitos serão impactados e que eles serão diferentes, mas ainda não temos uma visão de quão diferente eles serão daqui algum tempo. Diga-me aí então o que você: quais você considera que serão as principais mudanças que teremos de absorver no nosso dia-a-dia neste futuro imaginário (mas real)?

É óbvio que ninguém realmente tem estas respostas hoje… Contudo, a ideia do artigo é justamente provocar o seu cérebro e todo seu poder de análise, fazendo com que você reflita a respeito e crie conclusões pessoais – basicamente, não importa se você concorda ou não com as minhas, que irei expor, pois vou colocá-las aqui justamente para inspirá-lo e não para direcioná-lo.

Com base nas notícias e artigos que venho lendo a respeito, meu sentimento é que assim como nas demais crises, aqueles que tiverem sabedoria e souberem interpretarar os sinais do mercado usando-os a favor ainda cedo, provavelmente encontrarão as melhores oportunidades em meio à escuridão. E por isso, coloco importância neste tipo de reflexão e peço a sua atenção. Afinal, assim como eu, você também quer navegar num Oceano Azul, não quer?

Repito: não estamos lidando com certezas, pois, em verdade, ninguém realmente as têm. Reforçado isto, vamos nos concentrar nas possíveis tendências (da minha visão) aqui, ok? Pense nas suas opiniões a respeito, anote, comente, compartilhe e vamos ver o que teremos no final. Vamos lá!

Trabalho (longe = perto)

As profissões e as relações de trabalho estão sendo profundamente e drasticamente modificadas e, provavelmente, ainda serão adpatadas por vários ciclos num futuro próximo. O trabalho remoto, na minha visão, principalmente em áreas relacionadas à tecnologia (desenvolvedores principalmente), tendem a se tornar o “padrão”, ou seja, a primeira opção. Na carona, creio que embarcão as opções de cloud, que antes, muitos ainda olhavam “de canto de olho”, e que agora estão mostrando o seu valor e suportando boa parte das soluções essenciais de software de larga escala do mundo.

Outra questão relevante sob o aspecto profissional é que devido aos altos níveis de desemprego (praticamente no globo todo), o quesito felicidade no trabalho pode estar sendo ligeiramente afetado… e creio que positivamente… até mesmo, meramente pela satisfação das pessoas em terem onde trabalhar enquanto muitos não podem dizer o mesmo: é algo como uma sensação de privilégio. Vá ao Linkedin e veja os inúmeros depoimentos apaixonados de colaboradores pelas empresas que estão mantendo seus empregos mesmo diante do cenário adverso que estamos vivendo! É justo, é interessante e é real!

Em relação aos índices de desemprego, preocupa-me o total de pessoas sendo seriamente afetadas… e pesa ainda, a questão das universidades, que já sabidamente não estavam devidamente alinhadas sob a perspectiva da oferta e da procura (você já viu o abismo entre as ofertas dos cursos de Direito e Sistemas de Informação, por exemplo???)…

Continuando… a minha opinião é que os jovens recém formados em áreas que já não estavam demandando tendem a ter problemas sérios para enfrentarem sua entrada no mercado de trabalho, dada a concorrência e redução drástica de alguns postos em áreas correlacionadas.

Produtos e Serviços (foco no essencial)

Devido à enorme crise mundial que se instaura e avança, não é difícil prever que as pessoas farão aquilo que sempre fazem quando um evento do tipo ocorre: compram principalmente o que é essencial (comida, remédios, etc.), deixando de lado alguns produtos, serviços e hábitos menos importantes, ou mesmo, condiderados supérfluos.

Como não poderia deixar de ser, mais desemprego e menos pessoas circulando pelas ruas, fazem com que o consumo diminua de forma significativa; e com isso, muitos negócios deixam de existir, e novamente, as pessoas perdem seus empregos.

Sendo assim, resiliência, a palavra da moda da última décaca, parece ser também a palavra-chave para quem quer se manter no mercado, independentemente de ser o empregado ou o empregador. Muitas pessoas terão de se reinventar profissionalmente, e muitas empresas terão que fazer o mesmo para continuarem vivas. Estudar, aprender e aplicar, e se reinventar… isso parece algo bom a fazer neste momento (e tudo se resume num verbo: “adaptar”).

Investimentos (dinheiro é perigoso)

As moedas estão instáveis e muito do que era seguro até ontem, já se tornou incerto hoje. A dependência das moedas, mesmo as fortes como o Dólar e o Euro, podem tornar negócios e investimentos internacionais arriscados ou suicidas; e neste contexto, entram também os investimentos em bolsas de valores, onde os ganhos ou perdas tendem a ser muito altos em meio às crises globais e incertezas…

Opções que sempre retornam à mesa em épocas de crise é o investimento em ouro, terra (imóveis em geral) e negócios, mas em tempos modernos, especula-se que, além dos negócios novíssimos (startups), as moedas digitais também possam ser uma boa opção. Ao meu ver, a questão-chave será entendermos os novos hábitos e o comportamento da população perante a crise, assim como analisar a saída que os governos encontrarão para tornar tudo isso menos traumático e “custoso” à sociedade.

Governo (e seu papel)

Falando em governos… um Estado grande, pesado e ineficiente já há muito tempo não consegue acompanhar a evolução da sociedade, e no Brasil isso não é diferente – é inclusive, bastante evidente. Ele precisa de tecnologia para reduzir custos à população e ser mais eficiente, mas também precisa de alinhamento vertical e horizontal, assim como uma boa dose de força de vontade para mudar o status quo. Pena que alinhamento é o que menos temos percebido ultimamente no Governo Brasileiro (que o digam nosso presidente e a maioria dos nossos deputados, senadores, governadores, prefeitos e etc.).

De modo geral, no planeta todo, o endividamento das economias nacionais provavelmente obrigará os governos (minimamente inteligentes) a apostar de vez na eficiência digital e menos na dependência das pessoas para a execução de rotinas que podem ser automatizadas ou reduzidas (em busca da burocracia mínima viável e do contato físico mínimo), o que não necessariamente remete ao desemprego, visto que oportunidades de melhoria não faltam no campo estatal.

Um bom exemplo neste sentido é o Governo Digital do Brasil, que seguindo o modelo estratégico utilizado pelo Reino Unido, vem fazendo um ótimo trabalho, sendo quase uma exceção, ao compor uma linha de frente preparada e de bastante prestígio, com resultados significativos obtidos já no curto prazo. É ainda uma estrutura pequena frente aos enormes desafios do país, mas é importante destacar aquilo que está dando certo e que está quebrando silos e burocracias contornáveis através da tecnologia.

Voltando ao outro lado da moeda, não bastasse a crise sanitária, a situação política atual tem sido realmente dificil e desgastante para todos no Governo Federal, desdobrando para estados e municípios, e essa bagunça faz com que a imagem da nação frente aos investidores seja continuamente afetada.

Somam-se, a necessidade de obtermos mais dinheiro para cobrir o rombo deixado pela pandemia e também para mantermos a já pesada e lenta máquina pública sem aumentar impostos, e vemos que não é difícil imaginar que passaremos pelo aumento das privatizações. O que não é de todo ruim, mas tendem a ser vendas com valores em baixa, concorda?

Para finalizar e provocar mais um pouco o seu cérebro, fica a dúvida: será que teremos mais espaço para as iniciativas público-privadas e para a redução da burocracia inútil? (atualmente os critérios são bastante restritos aos grandes investimentos da iniciativa privada e não necessariamente ao valor agregado)

Saúde (importância redobrada)

A saúde tem sido relegada à segundo plano em muitos países, mesmo na iniciativa privada… e ainda encontramos recentemente desafios maiores pela frente. Enfrenta hoje, o seu maior teste: talvez o maior que o mundo moderno já proporcionou, e em escala global (a ponto de criar uma ruptura do que chamamos “globalização”).

Os planos de saúde podem se tornar ainda mais caros e pouco rentáveis, ou mesmo inviáveis em alguns cenários. Com isso, talvez terão de se reinventar em algumas perspectivas, como por exemplo, investindo pesado em tecnologia e capacidade analítica para obter ganhos significativos em termos de eficácia e eficiência, seja na triagem, atendimento ou acompanhamento de tratamentos.

No contexto da saúde pública, o problema atual é bastante complexo e deixa algumas perguntas no ar, por exemplo: e se no futuro surgir novamente algo igual ou pior, será que haverá alguma preparação com base na experiência que estamos tendo? Será que melhoraremos significativamente e definitivamente, ou atuaremos apenas com soluções de contorno (como no caso dos hospitais de campanha: importantes pela urgência, mas temporários)?

Educação (novos meios)

A educação é um ambiente reconhecidamente retrógrado e, infelizmente, não parece que houve muito esforço real nos últimos anos para mudar isso.

Embora o número de Edtechs tenha aumentado significativamente, estamos sentindo na pele as deficiências do sistema educacional em tempos de coronavírus, e talvez, uma resistência demasiada no próprio setor em relação ao emprego da tecnologia… Basta atentar como a grande maioria das escolas públicas e privadas está desconfortavelmente lidando e quase “lutando contra a tecnologia” para manter a educação funcionando durante o período da quarentena…

Turismo (com cautela)

Você viajaria para a Europa no curto prazo? Não? Então ok, mas com quanto tempo de antecedência você planejaria este tipo de atividade?

Pois é, eu arrisco a dizer que, partindo do princípio que eu… estando empregado e, ao menos sem dividas de curto prazo… quando não precisar mais usar uma máscara para sair (não sou muito fotogênico, mas ao menos gostaria de aparecer nas minhas fotos, ok?) e levar álcool em gel comigo a todo lugar… e o preço das passagens voltar a ser razoável… e a cotação não exigir que eu seja milionário para poder dar uma voltinha… e eu ter certeza que não voltarei febril e com dores no corpo (entre outros) por ter respirado o mesmo ar que alguém doente durante as muitas horas de voo que separam os continentes… acho que até faria sim essa viagem…

E então, você contabilizou quanto tempo minimamente demoraria para tudo isso ocorrer se a pandemia acabasse daqui a míseros 2 meses? Aliás, quanto tempo você acha que ela durará?

Infraestrutura e Tecnologia (como a base de tudo)

Investimentos na infraestrutura e no uso de serviços de telecomunicações e de tecnologia (TIC) parecem urgentes, ao passo que as redes privadas de computadores estão cada vez mais necessitando de upgrades para grandes provedores de serviços de nuvem, cuja principal vantagem é a elasticidade (capacidade na qual você pode aumentar ou reduzir o uso de recursos virtuais de hardware conforme a necessidade e sem ônus à disponibilidade de aplicações).

Vejamos um bom exemplo de uso de serviços cloud: a Netflix. Se tivesse um data center próprio (aliás, ao menos um em cada continente), você acha que eles teriam a capacidade de escalar e ainda aumentar o conteúdo de streaming fornecido durante a pandemia a ponto de ocupar boa parte da capacidade de tráfego da internet em vários países e sem impacto significativo na qualidade dos seus serviços?

A resposta é que, logicamente, a menos que fosse muito precavida e “endinheirada”, e que tivesse se preparado para um evento catastrófico desta natureza (que poderia nunca ter ocorrido), mantendo um custo altíssimo por isso… a resposta é: “não”… a empresa não teria como se preparar minimamente para um evento desta proporção e natureza de uma forma minimamente razoável.

A saber, a Netflix utiliza a nuvem da Amazon Web Services (AWS), maior provedor de infraestrutura cloud do planeta; e só por isso, ela só será diretamente afetada pelo valor da fatura do provedor, que aumentará significativamente no final do mês, mas… também devido a esta mesma capacidade, a empresa ganhou mais alguns milhares de clientes – já que as pessoas que ficam em casa, assim como eu e você, consomem mais conteúdo e também entretenimento digital.


Apenas para reforçar: a ideia deste artigo não foi demonstrar pessimismo, ou algo do tipo, ou mesmo a minha opinião como uma “profecia”, mas fazer-nos pensar juntos o que poderia ocorrer por conta do cenário atual, principalmente, para trabalharmos de forma mais assertiva no que precisaremos fazer para competir no mercado a partir deste ponto, seja na pele da pessoa física ou na pessoa jurídica que cada um leva consigo (ou seja, como empregado ou empregador/ empreendedor).

E você… o que acha que acontecerá em breve? Qual a sua visão sobre o novo mundo que nos espera e sobre como poderemos viver nele sem grandes problemas? Quais são os maiores desafios? Algum comentário sobre o artigo?

Diga-nos o que você pensa: deixe seu comentário e, se possível, compartilhe esta página em suas redes sociais.

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