MODELO DE GOVERNANÇA ÁGIL E ENXUTA

Conheça uma abordagem de alto desempenho para a contratação, execução, gestão e governança de times de produtos de software.

2. Cultura & Pessoas

As pessoas criam a cultura, e a cultura influencia as pessoas

Mindset são crenças e pensamentos que determinam como poderemos agir (nossos comportamentos) e também sobre o que sentimos.

A formação de um mindset-alvo é um reagente eficaz na estratégia organizacional, sendo este o primeiro e talvez o mais importante passo rumo à agilidade, que, essencialmente, é centrada em pessoas e na capacidade de adaptação dos negócios. Tomando ações neste sentido, certamente, suas chances de sucesso aumentarão significativamente, pois novos hábitos, mais saudáveis e direcionados, podem ser criados e maturados… e é realmente isso que define uma cultura: os hábitos que as pessoas perpetuam.

Para garantir foco em direção ao mindset procure estabelecer um conjunto de valores e princípios que possam ser realmente ‘vividos’ pelas pessoas. Isso servirá para que elas tenham experiências melhores e expectativas genéricas claras. Espera-se que assim, formem bons hábitos, gerando senso de identidade e propósito, tanto próprio como coletivo.

Transformar uma cultura organizacional pré-estabelecida e seus paradigmas parece ser um esforço ousado e revolucionário (e realmente o é), mas acima de tudo, é uma alavanca que potencializa a visão de agilidade nos negócios, habilitando também, se aplicável, a capacidade de crescimento exponencial.

2.1. Princípios e Valores

Usar referências ágeis e enxutas como direcionadores de comportamento e como norteadores primários de expectativas estão dentre os principais trunfos ao trabalharmos valores e princípios numa operação de alto desempenho (ou que esteja alinhada para trilhar esse caminho).

Entenda um pouco mais sobre isso a seguir…

2.1.1. Agile

O Manifesto Ágil, que inaugurou a agilidade, é composto por 4 valores principais:

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas;
  2. Software em funcionamento mais que documentação abrangente;
  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos;
  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano.

O documento possui ainda, 12 princípios:

  1. Nossa maior prioridade é satisfazer o cliente através da entrega contínua e adiantada de software com valor agregado.
  2. Mudanças nos requisitos são bem-vindas, mesmo tardiamente no desenvolvimento (processos ágeis tiram vantagem das mudanças visando vantagem competitiva para o cliente).
  3. Entregar frequentemente software funcionando, de poucas semanas a poucos meses, com preferência à menor escala de tempo.
  4. Pessoas de negócio e desenvolvedores devem trabalhar diariamente em conjunto, durante todo o projeto.
  5. Construa projetos em torno de indivíduos motivados; dê a eles o ambiente e o suporte necessário, e confie neles para fazer o trabalho.
  6. O método mais eficiente e eficaz de transmitir informações para e entre uma equipe de desenvolvimento é através de conversa face a face.
  7. Software funcionando é a medida primária de progresso.
  8. Os processos ágeis promovem desenvolvimento sustentável; e os patrocinadores, desenvolvedores e usuários devem ser capazes de manter um ritmo constante indefinidamente.
  9. Contínua atenção à excelência técnica e bom design aumenta a agilidade.
  10. Simplicidade – a arte de maximizar a quantidade de trabalho não realizado (é essencial).
  11. As melhores arquiteturas, requisitos e designs emergem de equipes auto-organizáveis.
  12. Em intervalos regulares, a equipe reflete sobre como se tornar mais eficaz e então refina e ajusta seu comportamento de acordo.

2.1.2. Lean

Por sua vez, os 5 princípios do Lean são os seguintes:

  1. Valor: ou seja, o que o cliente espera do produto… é o que ele considera importante (tal como o preço, a qualidade, o prazo de entrega…);
  2. Fluxo de Valor: representa as atividades que criam valor, transformando insumos em produtos, assim como a distância deste percurso e seus tempos;
  3. Fluxo Contínuo: o processo deve rodar sem interrupções e sem estoques intermediários;
  4. Puxar: produzir somente o necessário, quando necessário e se alguém solicitar;
  5. Perfeição: buscar sempre a melhoria contínua.

2.2. Filosofia e Cultura

Agile e Lean não são apenas direcionadores, são filosofias que fomentam uma cultura organizacional saudável e habilitam ou potencializam processos de transformação, os quais consistem basicamente de aspectos relacionados à aproximação, capacitação, convencimento e mudança nas experiências das pessoas.

2.2.1. Pessoas no centro

Sendo certo que as pessoas são o principal componente da estrutura de qualquer abordagem ágil, e não por acaso, os soft skills são cada vez mais requisitados nas atividades de atração e mesmo, de retenção de talentos, pode-se dizer que um time de desenvolvimento na realidade não precisa de heróis…

Num time auto gerenciável, seus membros são capazes de entender o contexto onde estão inseridos e o seu propósito, e desta forma, conseguem se conectar melhor uns com os outros, como se fossem um único grande ser orgânico. Assim, as pessoas envolvidas devem continuamente verificar se estão voltadas aos objetivos e alinhadas aos valores, princípios e metas de auto-desenvolvimento, que compreendem os hard skills necessários.

Isso não quer dizer que as pessoas não precisem demonstrar as suas competências técnicas (os hard skills) no dia-a-dia de uma operação ágil e enxuta… muito pelo contrário: a capacitação e a transformação devem ser constantes na rotina e na cultura da organização a ponto de que elas saibam como e quando precisam desenvolver determinada habilidade, mas elas devem ser incentivadas a pensar que é isso que faz delas membros valorosos do time.

2.2.2. Transparência, inspeção e adaptação

Como sabe-se, o Scrum que é formado por um conjunto coeso de pilares, valores, papéis e cerimônias, porém, mesmo que o próprio seja apenas um framework, os seus pilares nunca foram tão destacados como sinônimos de agilidade como nos últimos anos.

Vamos então nos apropriar um pouco deste significado e demonstrar o que cada um contribui em termos de filosofia e cultura:

  1. Transparência: ter visibilidade do que está acontecendo remete à confiança coletiva e gera organização;
  2. Inspeção: a arte de pensar e aplicar uma visão crítica sobre o que está acontecendo age em prol da evolução contínua;
  3. Adaptação: uma vez que é possível enxergar o todo, e uma visão crítica foi aplicada o próximo passo é agir, fazendo com que a resiliência seja um fator constante.

Conclui-se, que trabalhar tendo por base um comportamento compatível com os três pilares do Scrum promove a proatividade e o senso de dono, assim como o potencial transformador que cada um tem dentro de si; e principalmente a resiliência que os negócios cada vez mais necessitam para continuarem funcionando em plena era em que vivemos, onde cada vez mais, solucionar problemas não tem haver com o problema, mas com a solução.