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Seja curioso && faça as “perguntas certas”

Olá! Maycon aqui novamente.

Hoje gostaria de aprofundar um dos pontos abordados no outro post sobre carreira: qual a competência mais importante para um programador? Na ocasião, destaquei o fato de que todo profissional de T.I. deve gostar de estudar e se aperfeiçoar constantemente. Bem, penso que esta questão está debaixo de um guarda-chuvas maior que vou chamar de “ser cuiroso”.

Se você visa uma carreira na área de T.I, especialmente como programador, a rotina de estudos visando estar atualizado com o mercado será um companheiro durante toda sua trajetória. Se você for uma pessoa curiosa, contudo, isso não será um fardo, mas algo muito prazeroso e produtivo. Graças a facilidade do acesso à informação, hoje isto é algo muito mais simples do que antigamente. Se você estiver minimamente antenado, será muito fácil participar de eventos grandes ou pequenos, alguns feitos pela própria comunidade, assistir palestras realizadas em outros países, adquirir livros de qualidade, assinar newsletters, cursos online, entre outras.

Agora, acredito que já o convenci de que ser curioso e estar atualizado são competências nada mais nada menos que FUNDAMENTAIS em nossa área. Seguindo esta linha de raciocínio, gostaria de trazer a tona uma outra competência que talvez não seja tão fundamental, mas caso possua, pode fazer você se destacar muito no mercado de trabalho. Essa competência é: saber fazer as perguntas certas.

Pergunta mais importante que a resposta

Se você tivesse a oportunidade de fazer uma pergunta para uma máquina super poderosa, capaz de responder absolutamente qualquer coisa, o que você perguntaria? Bem, esta situação estranhamente bizarra já aconteceu uma vez, pelo menos na ficção. No livro “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, do escritor britânico Douglas Adams, uma civilização muito avançada constrói um computador tão potente que era capacidade de calcular todos os átomos de uma estrela em segundos. Com todo esse poder nas mãos, essa civilização resolveu fazer a seguinte pergunta para máquina: qual o segredo da vida, o universo e tudo mais?

Mesmo com tanta potência, a máquina demorou milhões de anos para processar esta pergunta e chegar na resposta final. Quando chegou o grande dia, o computador disse que a solução para pergunta feita era… 42. Só isso mesmo. Que o segredo da vida, o universo e tudo mais era 42. Não acreditando no que ouviram, logo foram reclamar para computador e receberam uma bronca memorável: “Ora, vocês não sabem nem qual a pergunta, como vão entender a resposta?”.

Essa brincadeira do Douglas Adams nos faz pensar que a pergunta certa é tão importante quanto a resposta. Como eu falei anteriormente, temos o privilégio de estar cercado de informações. Quando se trata de programação, é muito difícil alguém passar por um problema que nunca ninguém tenha passado antes. Por isso, saber fazer uma pesquisa certeira, seja em um livro ou mesmo no google, exige saber fazer a pergunta certa. Caso contrário, você pode demorar dias para solucionar o problema onde a resposta estava logo na sua frente.

Não nos ensinaram a pensar assim

Talvez um dos problemas mais graves do nosso sistema de ensino é que não nos ensinam a fazer perguntas. Muito pelo contrário: normalmente passamos anos na escola e na faculdade aprendendo através de um script pré determinado, onde o professor passa o plano de ensino, você estuda o conteúdo que sabe que vai cair na prova e assim vai progredindo. E o mesmo acontece em cursos livres de programação. Normalmente você replica um projeto definido pelo orientador e repete todo código que ele ou outra pessoa já teve o esforço de pensar.

Agora, quando nos deparamos com o mercado de trabalho, você vai se deparar com inúmeros problemas imprevistos, situações que fogem do script e da normalidade. E é nessa hora que o bom profissional se destaca. Aquele que consegue, a partir das informações que tem, formular as perguntas certas, chegará na resposta de maneira mais rápida e certamente entregando qualidade e eficiência no seu trabalho. Infelizmente, essa maturidade que nos permite saber fazer as perguntas certas vem com o tempo, chegando mais cedo para uns do que para outros.

Importante frisar: não existe pergunta errada

Discorri até aqui sobre a importância de se fazer a pergunta certa. Usei esse termo de maneira pedagógica e lógica para conseguir expressar minha linha de raciocínio. No entanto, acredito piamente que não existem perguntas certas e erradas. É claro que fazer uma pergunta bem feita nos lev à resposta almejada. No entanto, como falei anteriormente, essa competência leva anos para ser desenvolvida. O processo natural de alguém curioso é sempre fazer perguntas. Mesmo que sejam inúmeras perguntas “erradas”, menos eficientes. Essas perguntas irão sedimentar uma base sólida de conhecimentos, até o ponto de atingirmos uma estatura que possibilite fazer a “pergunta certa”. E é esse processo evolutivo que eu julgo ser o mais importante. Por isso, não fique preocupado em fazer uma pergunta “errada”. Na dúvida, sempre pergunte, questione. Se a resposta não vier através deste questionamento, ele pelo menos irá servir como degrau para um próximo nível de conhecimento.

Fuja desta armadilha

Estar em busca das perguntas certas também traz outros benefícios além de chegar nas melhores respostas. Esta maneira de pensar nos faz fugir de um certo modelo mental terrível, presente praticamente em todos os profissionais ruins, que é fazer as coisas porque “sempre foram feitas assim”. Esta frase “bizonha” nos impede de crescer e de nos aperfeiçoar. Ainda mais na área de tecnologia, onde inovações acontecem constantemente, esse pensamento deve ser evitado ao máximo.

That’s all, folks!

Enfim, espero que vocês tenham gostado desta pequena reflexão. É algo que eu tenho carregado comigo e vejo que tem feito diferença na minha carreira. Vejo que a competência de ser curioso está intimamente ligada a de fazer as perguntas: quem é curioso sempre está fazendo inúmeros questionamentos (como funciona, como isso chegou aqui, como devo fazer pra chegar lá) e assim, consequentemente, aprimorando sua competência de fazer as perguntas certas.

Queria fazer um agradecimento especial ao meu amigo e mentor Rafael Mattos, que leu este artigo e deu um feedback excelente. Ele apontou algo que não deixei muito claro na versão original. A seção sobre não existir perguntas erradas foi escrita após a reflexão que fiz sobre o que conversamos. Obrigado mais uma vez meu caro!

Caso você concorde, discorde ou queira acrescentar algum ponto, deixe um comentário. Ficarei feliz em saber sua opinião.

Até a próxima 😉

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