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Unidade Referencial de Trabalho (URT)

A UST (Unidade de Serviço Técnico), métrica criada no Governo do Brasil e atualmente muito utilizada (e criticada), inegavelmente, trouxe uma importante contribuição para o entendimento e elaboração de catálogos de serviços e suas respectivas estimativas de execução.

Embora abstraia esforço através da unidade-base “hora”, há uma alta complexidade relacionada à elaboração de um catálogo de serviços UST, pois esta atividade deve ser precedida de um estudo bastante detalhado e trabalhoso. Na prática, seja devido à ausência de qualificação técnica das pessoas envolvidas na concepção do catálogo, ou pelo tempo, ou mesmo dificuldade de análises de base histórica, esta premissa é muitas vezes desconsiderada ou relegada ao segundo plano. Por este e outros motivos, a UST acabou por se tornar uma espécie de moeda “sem cotação”, onde a cada contexto usa-se um valor sem um racional “padrão” que possibilite eventuais comparações ou análises entre contextos minimamente similares.

Resume-se que, quando uma métrica não é de fato padronizada em termos da sua base e/ou forma de aplicação, qualquer “medida” é mero número… e não serve efetivamente ao propósito de estimativa e medição.

Visando então criar uma métrica-padrão orientada ao esforço, que fosse justa e transparente, e com base no uso de referências confiáveis e comparáveis (em conjunto com a parte que deu certo da UST), nós, da Lab of Codes, criamos o conceito de URT, ou Unidade Referencial de Trabalho.

Bom… mas o que é isso?

A Unidade Referencial de Trabalho (URT), como o próprio nome sugere, é uma métrica que utiliza a unidade do esforço (“horas”) e referências científicas derivadas para estimar e medir a execução de um determinado tipo de serviço. Desta forma, os diferentes níveis de complexidade destes serviços são aferidos com base em análises de contexto e de seus respectivos parâmetros de performance, os quais devem ser considerados coerentes pela comunidade científica. Para tal, esses parâmetros são obtidos mediante o uso de estudos de mercado ou ainda, da elaboração de análises utilizando algum método científico, assim como, a pesquisa de referencias obtidas de fontes públicas e/ou privadas consideradas idôneas, ou mesmo, de boa reputação (de qualquer forma, seus resultados devem ser expressos como reconhecidamente “de origem científica”).

A URT é, portanto, uma métrica primária, que usa métricas secundárias de quantificação de unidades que permitem aferir tanto uma determinada capacidade contratada como realizar a medição do desempenho efetivo (acompanhamento que ocorre através da avaliação de níveis de serviço). Ela pode ser usada, por exemplo, para o contexto de software, onde a produção é passível de avaliação tanto em termos de capacidade como de medição através da Análise de Pontos de Função, métrica para a qual se tem referencial científico vasto, seja através de diversas fontes públicas ou privadas. Portanto, neste caso, a produtividade, em horas por ponto de função, vincula a métrica primária (URT), que origina-se da base horária, e a métrica secundária (Ponto de Função) para efeito de ponderação da complexidade de contextos específicos.

Desta forma, ao abrir uma Ordem de Serviço (OS), você a estima com base numa expectativa de produção mensal da unidade secundária sendo utilizada (quantitativo da produção). Por exemplo, ainda para a realização de atividades de desenvolvimento e manutenção de software, poderia-se considerar um quantitativo de unidades de pontos de função como “alvo” de produção para uma OS mensal específica, e sabendo-se que para o contexto em questão está fixada no contrato uma determinada referência de complexidade em termos de uma produtividade em URTs por ponto de função (obtida pela referência de mercado correspondente à produtividade em Horas por Ponto de Função), temos que o produto entre a “capacidade-alvo” e a “complexidade” corresponde ao total de URTs a remunerar ao prestador de serviços.

Em complemento, considera-se que não apenas basta que a capacidade-alvo seja atingida ao final de um período mensal (encerramento da OS), por isso, avalia-se também, através de critérios objetivos dispostos no contrato de prestação de serviços, o Acordo de Nível de Serviço (ANS).

De forma a criar uma padronização efetiva para o mercado em relação ao uso da métrica URT, os domínios de informação a serem analisados no ANS também devem ser normalizados; e para isso, utilizamos os 3Es da administração como equivalente imediato da “análise de custo-benefício”. Os 3Es, a saber, são os seguintes:

  • Eficácia – é a capacidade de fazer aquilo que é preciso, que é certo para se alcançar determinado objetivo, escolhendo os melhores meios e produzir um produto; seus critérios são:
    • Qualidade (em software, por exemplo: em Inconformidades em Produção por Pontos de Função, considerando totais acumulados do contrato como referência para este indicador);
    • Atendimento no Prazo (percentual).
  • Eficiência – é a capacidade de obter bons produtos com produtividade e desempenho, utilizando a menor quantidade de recursos possíveis, como tempo, mão-de-obra e material, ou mais produtos utilizando a mesma quantidade de recursos (a eficiência envolve a forma com que uma atividade é feita, enquanto a eficácia se refere ao resultado da mesma); é representada por no mínimo um critério oriundo da métrica secundária:
    • Produção (em software, por exemplo: em URTs por Ponto de Função, considerando totais acumulados do contrato para efeito de análise deste indicador).
  • Efetividade – diz respeito à capacidade de promover os resultados pretendidos ou planejados, e é ponderada entre os três critérios a seguir:
    • Satisfação com a Entrega (percentual), correspondente ao peso de 45% do domínio;
    • Satisfação com o Produto ou Serviço (percentual), correspondente ao peso de 35% do domínio;
    • Satisfação com a Empresa ou Equipe (percentual), correspondente ao peso de 20% do domínio.

Para que uma análise de custo-benefício seja feita sobre os 3Es, durante a etapa de apuração do nível de serviço do período em questão (mês) realiza-se a ponderação dos resultados destes domínios, da seguinte forma: 30% para Eficácia, 40% para Eficiência e 30% para Efetividade.

Iremos ainda incrementar este post com detalhes, então fique atento às atualizações!

Um forte abraço do Ismael Melo! E continue nos acompanhando sempre que puder…

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